Os
indígenas foram escravizados do início da colonização até a reforma pombalina
ocorrida no século XVIII.
Os
indígenas eram essenciais para os planos de colonização da Coroa portuguesa,
foram muitos importantes para a sobrevivência dos colonos, foi com os povos originários
que os portugueses aprenderam sobre os animais, plantas, frutas que só existiam
neste continente (tamanduá,
cacau, guaraná, etc.) O trabalho indígena foi decisivo para o início da
colonização, “a escravidão indígena desempenhou um papel de grande impacto não
apenas sobre as populações nativas como também na constituição da sociedade e
economia coloniais” 1 destinada principalmente no cultivo de cana de açúcar.
A
legislação sobre a questão da escravidão se demonstrou ser ambígua, “redundando
numa longa sucessão de leis e decretos que, apesar de reiterarem o princípio da
liberdade indígena, também regulamentavam as condições nas quais os índios
pudessem ser legítimos cativos”. 2 A condição para “o cativeiro só seria
legítimo nos casos em que os índios fossem subjugados por intermédio de uma guerra justa, a qual teria de ser
aprovada por uma Licença Régia ou pelo Governador”. 3 A Coroa também emitiu
cartas régias autorizando guerras a índios inimigos como foi o caso dos Caetés
em 1562, foram acusados de devorar o bispo Dom Pero Fernandes Sardinha, o
processo de acusação deu-se seis anos após o fato, levando a crer que os
motivos políticos eram suprir uma necessidade de mão de obra. Sabe-se que as leis que impediam uma
“escravidão injustas” não foram respeitadas, muitas expedições eram formadas
pelos colonos para aprisionar os indígenas, eram expedições de apresamento, resgates, bandeiras e guerras justas. Missões
de resgates seriam aquelas que salvariam os prisioneiros indígenas de tribos
rivais, aqueles que seriam sacrificados em rituais antropofágicos.
Uma
outra maneira onde o trabalho indígena foi utilizado eram nas missões jesuíticas, vilarejos
organizados para a catequização dos
indígenas, produção agrícola, e defesa militar – organização de milícias
indígenas, responsáveis por proteger e ocupar o território da colônia. As
missões foram de suma importância para a Coroa, desenvolveram a economia
colonial, garantiram a defesa das fronteiras, os indígenas foram responsáveis
por defender as ofensivas de outros colonizadores como os franceses e
holandeses. Ir para uma missão jesuítica
era uma maneira de permanecer vivo e não ser escravizado pelos colonos, porem muitas
missões sofreram ataques de bandeirantes em expedições de apresamento, havia,
portanto, uma luta política entre os
jesuítas e os colonos que queriam escravizar os indígenas – Jesuítas são conhecidos
como defensores da liberdade indígena. A administração destas vilas dividiam-se
entre os padres jesuítas e uma autoridade indígena, o trabalho indígena nas missões
é vista pelos historiadores atuais como um processo de resistência, uma maneira
encontrada de permanecerem existindo. Apesar da lealdade dos jesuítas com a
Coroa, as missões foram extintas no Brasil após a reforma pombalina e a
expulsão dos jesuítas do Brasil, foram motivadas também pela Guerra Guaranítica (1750 – 1756),
guerra motivada pela necessidade de transferência de localidade das missões que
ficaram na parte espanhola -localizadas no sul do Brasil, após a assinatura do tratado de Madri (1750), alguns
indígenas consideraram uma traição dos padres jesuíticas e se recusaram a sair
de suas terras, formaram um exército de aproximadamente 2500 homens, mas foram
derrotados pelas tropas da coroa. 4
Redução Jesuítica
Ao estudar
o processo de escravidão indígena na formação do Brasil verificamos que foi
responsável pela grande diminuição demográfica destes povos, o processo foi
cruel e genocida. As populações
nativas foram atacadas e aprisionadas em massa, as condições de vida dos
escravizados eram precárias e resultavam na morte em pouco tempo. “o padre João
de Sousa Ferreira ilustrava bem a situação demográfica e sua relação com o
cativeiro: "Metendo dez escravos em casa, daí a dez anos não havia um; mas
fugindo um casal para o mato, achava-se daí a dez anos com dez filhos."5
As epidemias devastaram populações
nativas inteiras, o sistema imunológico dos indígenas não tinham forte
resistência trazida pelos portugueses.
Podemos
citar alguns motivos da substituição da mão de obra indígena pelo escravo
africano. O escravo indígena era mais ligado a terra e a sua cultura, tinha
maior facilidade para organizar fugas – iriam até mesmo se juntarem aos
quilombos, pois geralmente eram escravos da mesma etnia – diferentemente dos
escravos africanos que eram retirados de sua terra e que tinham origens muito
diversas, onde os proprietários tinham o cuidado de separa-los de todos os
laços possíveis. O trabalho agrícola era associado ao trabalho feminino em
diversas tribos. Os indígenas eram muito suscetíveis a doenças e epidemias,
colaborando assim para uma grande redução populacional.
Bibliografia
1 MONTEIRO, Jhon.O escravo índio, esse desconhecido.
IN: Luís Donisete Benzi Grupioni (org.). Índios no Brasil. Brasília: Ministério
da Educação e do Desporto, 1994, p. 105-120.
2
caput
3 GILENO, C. H. A legislação indígena: ambiguidades na formação do Estado-nação no Brasil. Cad. CRH [online]. 2007, vol.20, n.49, pp. 123-133.
4
Documentário Missões Jesuíticas – Guerreiros da fé. 2010. TV Senado. Brasil.
5
Serafim Leite, História da Companhia de Jesus no Brasil, 10 vols., Rio de
Janeiro, Civilização Brasileira, 1938-50, vol. 7:295; Sousa Ferreira, "América
Abreviada," p. 117
A Revolução Inglesa de 1640 -
Christopher Hill. 1983. Editora Lisboa
Autor do resumo: Rômulo de Souza Rodrigues - formado em História pela PUCSP
Escrevo aqui um resumo didático da obra
A Revolução Inglesa de 1640 do historiador Christopher Hill. Este resumo tem o
intuito de ajudar os estudantes e professores de História, contém passagens,
elementos chaves do texto e algumas ilustrações acrescentadas por mim.
FUNDO
ECÔNOMICO
Para começar esta História o autor
analisa o fundo econômico do período, antes da revolução, a Inglaterra existe
em uma economia feudal, e por
feudalismo o autor entende:
“Uma forma de sociedade na qual a
agricultura é a base da economia e o poder político constitui o monopólio de
uma classe de proprietários de terras. A massa da população consiste em uma
massa de camponeses dependentes que vivem do produto das terras arrendadas pela
família. Os proprietários da terra são sustentados pela renda paga pelos camponeses,
sob a forma de víveres ou de trabalho, nos primeiros tempos, ou (por volta do
século XVI) em dinheiro. Nessa sociedade existe igualmente a pequena produção
artesanal, a troca de produtos e o comércio interno e com o exterior; porém, o
comércio e a indústria estão subordinados aos proprietários de terras e ao seu
Estado, bem como a espoliação por parte deles. O capital mercantil pode desenvolver-se dentro do feudalismo sem
que o modo de produção seja alterado. A ameaça à velha classe dominante e ao
seu Estado surge apenas com o desenvolvimento
do modo de produção capitalista na agricultura e na indústria” pg 8
Imagem 1 - Feudalismo
Devemos lembrar que o fundo
econômico da revolução é a transformação de uma sociedade feudal (nobreza) em
uma sociedade capitalista (burguesia), os processos ocorridos no século XVII
possibilitaram a revolução industrial.
Na
sociedade medieval a igreja tem um papel centralizador da vida, é comum dizer que a Igreja
ocupava o lugar do Estado hoje.
“A Igreja, durante toda a
idade média e até o século XVII, era algo de muito diferente daquilo a que
chamamos hoje Igreja. Guiava todos os movimentos do homem, do batismo ao
serviço fúnebre, e era o caminho de acesso a essa vida futura, em que todos os
homens acreditavam fervorosamente. A Igreja educava as crianças; nas paróquias
de aldeia – onde a massa da população era iletrada – o sermão do pároco era a
principal fonte de informação sobre os acontecimentos e problemas comuns e de
orientação da conduta econômica. A própria paróquia constituía uma importante
unidade de governo local, coletando e distribuindo as esmolas que os pobres
recebiam. A Igreja controlava os sentimentos dos homens e dizia-lhes o que
deviam acreditar, proporcionava-lhes distrações e espetáculos. Preenchia o
lugar das notícias e dos serviços de propaganda, agora coberto por instituições
muito diferentes e mais eficientes – a imprensa, a B.B.C., o cinema, o clube,
etc.” pg 20
Os valores medievais de
virtudes (espirituais), honra (guerreiros) e nobreza (títulos de nobreza), foram
se transformando em decorrência dos processos revolucionários – avanço do
capitalismo. Um exemplo marcante é encontrado na ambição (avareza) como um dos
pecados capitais, porém no mundo moderno a falta de ambição de um indivíduo é
considerada um defeito, o indivíduo considerado normal deve ter grandes sonhos
de consumo. No capitalismo o dinheiro é
o centralizador da vida.
“Os códigos éticos estão
sempre em estreita ligação com uma dada ordem social. A sociedade feudal fora
dominada pelo hábito, pela tradição. Comparativamente, o dinheiro não tinha importância. Constituía um ultraje a
moralidade dessa sociedade, o fato de as rendas sofrerem um aumento tão brusco,
e de os homens, por não poderem paga-las, serem lançados para as estradas,
mendigando, roubando ou morrendo de fome. Com o tempo, as necessidades do
capitalismo em expansão produziram uma nova moralidade – a moralidade de (Deus ajuda aqueles que se ajudam a si mesmo).
Mas no século XVI, a ideia de o lucro ser mais importante do que a vida humana
– que nos é tão familiar que perdemos todo o sentido de indignação moral – era
demasiado nova e chocante.
Imagem 2 - O dinheiro como centralizador da vida
Imagem 3 - "Em São Paulo Deus é uma nota de 100" Racionais MCs (Vida Loka part II)
Com a
economia se transformando devido a ascensão da classe mercantil (burguesia –
novos ricos - mercadores), as relações de mercado também se transformaram, a
coroa e a nobreza de títulos (proprietários de terras) não tinham o mesmo
sucesso neste mercado nascente. Juros, aumento dos preços, mudanças econômicas
foram o motor da revolução.
“O
foco desta sociedade era a Corte do Rei. O maior proprietário de terras deste
tipo era a própria Coroa, sempre com falta de capital. Os bispos eram também
proprietários notoriamente negligentes, sendo os seus domínios explorados, se é
que o eram, por arrendatários. Um contemporâneo observava que <nunca aumentam
nem costumam extorquir as rendas, como o fazem, até o último centavo, os nobres
e os gentil-homens, mas arrendam as suas terras, tal como há cem anos
atrás>. Os tempos eram difíceis para
estes parasitas e rentiers. A alta de
preços tornou impossível a manutenção do seu antigo nível de vida, e ainda
menos competirem no luxo com os príncipes do comércio. Estavam constantemente
endividados, muitas vezes para com algum esperto homem de negócio da cidade,
que exigia uma hipoteca sobre as duas propriedades e se apoderavam delas na
altura do vencimento. ” pg 36
O
desenvolvimento industrial era uma crescente, a monarquia se utilizou do monopóliocomo forma de
manter o seu domínio comercial, mas as suas tentativas não trouxeram bons
resultados.
“Este
novo desenvolvimento econômico deu origem a novos conflitos de classe. O
capital para o desenvolvimento industrial foi fornecido, direta ou
indiretamente, por mercadores, traficantes de escravos e piratas, cujas
fortunas tinham sido acumuladas no ultramar; e pelo setor da pequena nobreza
que fizera fortuna com a pilhagem dos mosteiros e a nova agricultura, além do
dinheiro proveniente das economias dos pequenos proprietários rurais e artesãos
.... Os monopólios – a venda a um indivíduo particular dos direitos exclusivos
de produção e/ou venda de uma determinada mercadoria (ou o direito exclusivo de
negociar num determinado mercado ultramarino) – eram o meio através do qual a
Coroa procurava submeter a indústria e o comércio ao seu controle, à escola
nacional, agora que as corporações das cidades tinham sido ludibriadas. “ pg 44
“Os
monopólios constituíam a forma de aplicação de taxas que menos correspondia aos
objetivos econômicos. Calculou-se que, enquanto 6 xelins para o erário
nacional, no caso dos monopólios um custo acrescido de 6 xelins exigido ao
consumidor apenas contribuía com 10 dinheiros. O restante ia para o grupo
privilegiado de parasitas da Corte, que não desempenhavam qualquer função
produtiva e constituíam um estorvo para o desenvolvimento integral das capacidades
produtivas do país. O monopólio de sabões dificultava gravemente a indústria de
lã. O monopólio do sal atingia a salga do peixe. Todas as industrias se
ressentiram de uma subida no preço do carvão, devido a aliança da coroa a um
círculo de exportadores. Os monopólios causaram uma alta acentuada de todos os
preços, que atingia com particular dureza os pobres. ” pg 71
A
expansão do capitalismo envolve a dissolução das antigas relações agrárias, nas
cidades inicia-se a formação do proletário, a formação de uma massa de
desempregados que será aproveitada para os empregos da indústria.
“Mas
um novo conflito viria a desenvolver-se, irremediavelmente, entre as duas
últimas classes, uma vez que a expansão do capitalismo envolvia a dissolução
das antigas relações agrárias e industriais e a transformação de pequenos patrões e camponeses independentes em
proletários” pg 51
A
partir do século XVI a monarquia inglesa decretou leis que privatizaram terras
que eram consideradas de uso comum, por exemplo, o bosque onde se podia caçar,
este processo ficou conhecido como leis
de cercamentos, camponeses foram expropriados. Este fato contribuiu para a
formação do proletário. Os cercamentos foram utilizados para aumentar a produção de lã, matéria prima utilizado
na fabricação de tecidos. Este fato é importante para entender a nova lógica
econômica. A economia feudal é basicamente uma economia de subsistência,
enquanto a economia capitalista tem a necessidade de se produzir para o
mercado, bens de consumo destinados a venda. Podemos lembrar da economia
brasileira com as suas grandes fases de produção de monocultura, exemplo, cana
de açúcar e o café.
As
leis de cercamentos (cercamento) inspiraram o autor Thomas More em seu livro
Utopia “Os vossos carneiros que se desejava fossem meigos e mansos, e que
comessem tão pouco, agora, segundo ouço dizer, tornaram-se tão devoradores e
selvagens que comem e engolem até os próprios homens” (EXERCICIO RELACIONAR O
CUSTO HUMANO E A IDEIA DE PROGESSO)
Imagem 4 - Os carneiros devoraram os homens, ou melhor dizendo a nova lógica econômica devorou os homens.
Nesta
realidade em transformação muitos camponeses sofreram as consequências das
mudanças econômicas, expropriados e sem trabalho eram punidos com o rigor da
lei, pelo crime de vagabundagem.
“Alguns
destes pobres foreiros tornaram-se vagabundos, calcorreando as estradas, à
procura de pão, e por isso criaram-se leis, ordenando que os vadios fossem
marcados com um ferro em brasa ou (chicoteados até os ombros, dele ou dela
sangrarem>. <Os pais da atual classe trabalhadora>, escreve Marx em O
Capital, <foram castigados pela sua transformação forçadas em vagabundos e
indigentes. A legislação tratava-os como criminosos, ‘voluntários’>. Outros
tornaram-se trabalhadores agrícolas nas vastas propriedades. Outros ainda,
constituíam uma útil oferta de mão-de-obra barata para a indústrias em expansão.
Nenhum destes grupos possuíam terras que os mantivessem na independência num
ano ruim, ou quando os patrões ficavam arruinados. ” Pg 39
Artigo interessante:
Henrique
VIII, 1530: mendigos velhos e incapacitados para o trabalho recebem uma licença
para mendigar. Em contrapartida, açoitamento e encarceramento para os
vagabundos mais vigorosos. Estes devem ser amarrados a um carro e
açoitados até sangrarem; em seguida, devem prestar juramento de retornarem à
sua terra natal ou ao lugar onde tenham residido durante os últimos três anos e
de “se porem a trabalhar” (to put himself to labour). Que ironia cruel!
Na lei 27 Henrique VIII*, reitera-se o estatuto anterior, porém diversas
emendas o tornam mais severo. Em caso de uma segunda prisão por
vagabundagem, o indivíduo deverá ser novamente açoitado e ter a metade da
orelha cortada; na terceira reincidência, porém, o réu deve ser executado como
grave criminoso e inimigo da comunidade. / FONTE: http://www.boitempoeditorial.com.br/v3/news/view/3333
FUNDO POLÍTICO
O
poder político inglês estava divido entre o Rei e o parlamento (o parlamento
inglês é uma herança da carta magna) durante o período estudado duas dinastias
governaram a Inglaterra, primeiro a dinastia Thudor e posteriormente a dinastia
Stuart (guerra das rosas – guerra pela disputa do trono). O parlamento inglês
era composto pela câmara do comuns dominada basicamente pela burguesia e a
câmara dos lordes composta pela nobreza.
A relação entre a monarquia e o parlamento era de tensão, contradições e
disputas pelo poder. Na economia se travava uma batalha feroz, a Coroa tentava
manter o domínio através de impostos, taxas e monopólios, mas a burguesia
ascendia cada vez mais, eram mais competentes nas relações de mercado e a Coroa
foi ocupando cada vez mais um papel parasitário.
“As
tentativas de Jaime e Carlos para restabelecerem o tesouro público suscitaram,
assim, muitos conflitos. Estabeleceram-se assim taxa sobre as importações sem o
consentimento do parlamento (impostos). Os monopólios tinham em vista desviar
os lucros industriais, tendo sido declarados ilegais pelo parlamento. O
<Projeto de Cockayne> para controle das exportações de tecido constituiu
uma tentativa de interferência do Estado nos processos de produção. O seu
malogro produziu uma grave crise econômica e provocou, em 1621, a primeira
denúncia em grande escala de toda a política econômica do governo e a abdicação
de Jaime I. Carlos, que sucedeu seu pai em 1625, utilizou empréstimos forçados,
apoiando-se nas prisões arbitrárias dos que se recusavam a pagar (O Caso dos
Cinco Cavaleiros).
Este
fato conduziu a uma ruptura declarada. Na petição de Direito, de 1628, o
parlamento declarou, que a fixação de taxas sem o seu consentimento e a prisão
arbitrárias eram igualmente ilegais; outras cláusulas procuraram impedir o Rei de
manter um exército permanente. Por que era essa, abertamente, a direção para
que o governo tendia. Carlos I aceitou a Petição de Direito compulsivamente,
mas entrou logo a seguir em conflito com os comuns sobre a sua interpretação.
Em Março de 1629, um súbito golpe dissolveu o parlamento, mas não antes de uma
cena violenta na Câmara dos Comuns, onde as resoluções eram aprovadas, a qual
tinham o objetivo de impossibilitar o rei de obter qualquer rendimento e de
lançar suspeitas sobre a sua política global, considerada <papista> e
segundo o interesse de potências estrangeiras. ” pg 67
Imagem 5 - retirada do site http://historiaemquadrinhosblog.blogspot.com.br/2013/07/absolutismo-na-inglaterra-versao.html
A
pirataria contribuiu para o processo de acumulo de capital, que posteriormente
seria empregado na produção.
“Numa
época em que a pilhagem e a pirataria contribuíam para a rápida acumulação de
capital, os temerários lobos-do-mar dos condados semifeudais do sudeste – Devon
e Cornualha – amontoavam riquezas de tal maneira que se tornava impossível aos
comerciantes de Londres, mais prudentes, imitá-los. Pilhando as colônias e
navios espanhóis em busca de ouro, procurando terras na Irlanda e na América do
Norte, os aventureiros da classe decadente não entravam em conflito com os
elementos da classe em ascensão. Os que tinham sorte adquiriam o capital
necessário para participarem também da produção para o mercado: as linhas da
divisão entre classes ainda não tinham cristalizado. “ pg 55
Fatos
que ajudam a compreensão:
A derrota
da invencível armada (Espanha) contra a Inglaterra em 1588. Segue o artigo
extraído da Encyclopædia Britannica.
A
grande frota de navios de guerra chamada pelos espanhóis de Invencível Armada
foi formada na Espanha para atacar a Inglaterra em 1588. Sua derrota diminuiu o
poder da Espanha na Europa e também mudou a estratégia das batalhas marítimas.
O rei
Filipe II da Espanha lançou-se à guerra por vários motivos. Queria restaurar o catolicismo
na Inglaterra protestante, evitar que os ingleses apoiassem a rebelião nos Países
Baixos, então domínio da Espanha, e, finalmente, impedir que o capitão inglês
Francis Drake continuasse a saquear os navios espanhóis que transportavam
tesouros da América para a Espanha. Filipe II pretendia invadir a Inglaterra com
30 mil soldados, mas antes precisava derrotar a marinha de guerra inglesa.
A
Armada deixou a Espanha em maio de 1588, com 130 navios e 27 mil homens. Chegou
ao canal da Mancha no final de julho e travou algumas batalhas. Em 8 de agosto
os ingleses obtiveram uma vitória decisiva. Eles contavam com menos navios, mas
tinham canhões de maior alcance. Isso impedia que os espanhóis se aproximassem
para atacar as embarcações inglesas.
Sob
bombardeio inimigo e fustigada por grandes tempestades, a frota espanhola fugiu
para o norte, contornando a Escócia na tentativa de voltar à Espanha. Apenas
sessenta navios retornaram.
A derrota dos espanhóis salvou a
Inglaterra da invasão. Essa foi a primeira grande batalha marítima da história
do mundo decidida por canhões. Depois dela, e por centenas de anos, navios de
guerra armados com canhões dominaram os mares. / FONTE: http://escola.britannica.com.br/article/480660/Invencivel-Armada
Imagem 6 - A invencível armada.
“A derrota
da Armada espanhola em 1588 deu ao comércio ultramarino inglês a oportunidade
de se desenvolver livremente. Por outro lado, fez com que a burguesia inglesa
se tornasse mais consciente das restrições postas à sua expansão dentro do
próprio pais” pg 43
Vale
destacar dois partidos políticos citados no texto, os Tories e Whig segue a
definição deles extraída no dicionário político do site Marxists.
WHIG: Partido político de
Inglaterra, constituído nos anos 70-80 do século XVII. O partido dos whigs
exprimia os interesses dos meios financeiros e da burguesia mercantil, assim
como de uma parte da aristocracia aburguesada. Os whigs originaram o partido
liberal. Os whigs e os tories sucediam-se no poder.
Tories: Partido político da Inglaterra que surgiu em fins do século XVIII. Exprimia os interesses da aristocracia fundiária e do alto clero, defendia as tradições do passado feudal. Em meados do século XIX, na base do partido dos tories, foi criado o Partido Conservador. / FONTE: https://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/t/tories.htm
QUESTÃO : (Por que a reforma religiosa na Inglaterra feita pelo rei
Henrique VIII, auxiliou o capitalismo nascente e agradou a nobreza e os
comerciantes?)
A REVOLUÇÃO.
Em
1642 depois de uma nova dissolução do parlamento e invasão do mesmo por Carlos
I, teve início a guerra civil, de um lado os defensores da monarquia e de outro
os representantes da burguesia. Neste momento aparece uma figura central para
entender a revolução, o nome dele é Oliver
Cromwell, líder da câmara dos comuns (representava o parlamento). Foi o
líder do exército revolucionário e defensor dos ideais liberais (meritocracia, democracia, tolerância religiosa),
adotou o método democrático em seu exército (conhecidos como os cabeças redondas, devido ao corte de
cabelo), garantindo assim maior disciplina. Vinculado a classe da burguesia,
era contra o absolutismo (centralização do poder) do rei Carlos I.
“Nas
suas forças dos condados situados a leste, a promoção tinha lugar pela via do
mérito, e não do nascimento: <Prefiro ter um capitão simples e rústico>,
disse <que saiba por que luta e ame
aquilo que sabe, do que um daquele a quem chamais “gentil-homem” e que não
passará disso. >. Insistia em que os seus homens tinham <as raízes da
questão> dentro deles, caso contrário, encorajava a livre discussão de
ideias divergentes. Cromwell teve de lutar contra alguns de seus oficiais
superiores que se recusavam a adotar o método democrático de recrutamento e
organização de que ele mostrara as vantagens. ” Pg 87
Em
1649 Oliver Cromwell venceu a guerra e o Rei Carlos I foi julgado e condenado a
morte (decapitação) com isso a Inglaterra se transformou em uma República
chamada Commonwealth e Cromwell passou a ter poderes ditatoriais proporcionado
pelo exército.
Abaixo
o autor lista os feitos de 11 anos do período de Cromwell:
“ 1 –
A conquista da Irlanda, com a expropriação dos proprietários de terras e dos
camponeses, - o primeiro grande triunfo do imperialismo inglês, e a primeira
grande derrota da democracia em Inglaterra. Pois a pequena burguesia do
exército, não obstante dos avisos de muitos chefes Leveller*, deixou-se desviar do estabelecimento das suas próprias
liberdades em Inglaterra e, iludida por inúmeros <slogans> religiosos,
destruiu as existentes na Irlanda. Muitos deles estabeleceram-se como
proprietários de terras neste país. (A revolta Leveller em 1649 tinha tido origem
na recusa de muitos soldados de partirem para a Irlanda, pois isso significava
violarem o compromisso tomado em 1647 de não se dividirem até que as liberdades
na Inglaterra estivessem asseguradas.)
2 – A
conquista da Escócia, necessária para impedir ali o restabelecimento da velha
ordem; a Escócia estava aberta aos comerciantes ingleses através da união
política.
3 –
Foi empreendida uma política comercial mais avançada com o Ato de Navegação de 1651, o qual se tornou a base da prosperidade
do século seguinte. Visava obter para os navios ingleses o comércio de
transportes da Europa, e excluir do comércio com as colônias ingleses todos os rivais.
Conduziu uma guerra com os holandeses, que tinham monopolizados o comércio de
transportes em todo o mundo na primeira metade do século XVII. Nesse período,
com efeito, a política real fizera com que se malograssem as tentativas da
burguesia para lançar todos os recursos da Inglaterra numa luta efetiva pela
obtenção deste comércio. A Inglaterra saiu vitoriosa desta guerra, graças da
frota de Blake e ao poder econômico que o governo republicano pode mobilizar.
4 –
Uma política imperialista requeria uma marinha poderosa, cujo desenvolvimento o
Rei Carlos não levaria a feito; sob Blake a Comunidade começou a dominar algum
proveito os mares, e a guerra contra a Espanha, em aliança com a França, trouxe
a Inglaterra a Jamaica e Dunquerque.
5 – A
abolição dos domínios feudais significava que os proprietários de terras
estabeleciam um direito absoluto às suas propriedades, em oposição ao rei; o
fracasso dos foreiros na obtenção de iguais condições para as suas fazendas
deixou-os a mercê dos donos das respectivas terras, preparando o caminho para
os cercados e as expropriações indiscriminadas durante os 150 anos que se
seguiram.
6 – Uma
restauração violenta da velha ordem no país foi impossibilitada pela demolição
de fortalezas, o desarmamento dos Cavaleiros e o fato de lhes serem cobradas
taxas que quase o arruinaram, de modo que muitos se viram forçados a vender os
seus domínios e a renunciar, consequentemente, ao prestígio social e ao poder
político. Para muitos dos proprietários de domínios economicamente pouco
desenvolvidos, desesperadamente endividados, o período da Comunidade, e
subsequente representava e execução de hipotecas, voltando o capital as suas
costas aos proprietários imprudentes.
7 – Por
fim para financiar as novas atividades dos governos revolucionários, foram
confiscadas e vendidas as terras da Igreja, da Coroa e de muitos dos principais
Realistas; os Realistas menos importantes, cujas propriedades tinham sido
confiscadas, foram autorizados a <negociar>, pagando uma multa correspondente
a uma proporção substancial dos seus domínios (foram por isso, frequentemente,
levados a vender particularmente uma parte das suas propriedades, a fim de
poderem ficar com o restante). “
O
exército de Cromwell teve um papel crucial, com novos ideais democráticos e meritocráticos,
“sabiam pelo que lutavam e amavam o que sabiam” Cromwell remodelou o exército
criando carreiras (New Model Army). A aristocracia teve que abrir mão do direito
tradicional de comandar forças armadas. Foram criados comitês para cuidar da
administração em substituição da burocracia monárquica.
“As
classes que pagavam as taxas começavam a ficar irritadas com a tática lenta e
dilatória dos aristocráticos chefes <Presbiterianos>, a qual aumentava os
custos da guerra. Tornava-se necessária uma reorganização democrática para
alcançar a vitória sobre os combatentes mais experimentados do lado realista.
Estas considerações fizeram com que prevalecessem as ideias de Cromwell, e
todos os membros do Parlamento foram obrigados pelo <Self Denying
Ordinance> (Decreto de Abnegação) a renunciar ao comando (abril de 1645).
Este fato atingiu principalmente os nobres; a renúncia ao seu direito
tradicional de comandar as forças armadas do país constituía só por si uma
revolução social secundária. Formou-se o Novo Exército Modelo, com a carreira
aberta aos talentos, organizado a nível nacional e financiado por uma nova taxa
nacional” pg 90
“Por
sua vez, isto conduziu a mudanças correspondentes no aparelho do Estado. A
destruição da burocracia real deixara um vazio que deveria ser preenchido por
funcionários da classe média. Porém, entretanto, a pressão das necessidades
revolucionárias levara à criação de uma séria de comités revolucionários nas
várias localidades. <Tivemos aqui uma coisa chamada Comitês>, escrevia um
descoroçoado gentil-homem da Ilha de Wight, <que dominava os
Vice-Governadores e também os Juízes de Paz, e nele tivemos homens corajosos:
Ringwood de Newport, o bufarinheiro; Maynard, o farmacêutico; Matthews, o
padeiro; Wavell e Legge, lavradores; e o pobre Baxter de Hurst Castle. Eles
governaram toda a Ilha e faziam o que quer que parecesse bom aos seus
olhos>. (Sir John Oglander talvez exagerasse a inferioridade social dos seus
inimigos: na totalidade do país, os comitês de condado eram chefiados pela
pequena nobreza e alta burguesia). Estes comitês estavam agora organizados e
centralizados e submetidos ao controlo geral dos grandes comitês do Parlamento,
que realmente conduziam a Guerra Civil – o comitê de ambos os reinos, o comitê
para o empréstimo de dinheiro, etc. O velho sistema estatal foi parcialmente
destruído e modificado; as novas instituições surgiam sob a pressão dos acontecimentos.
” pg 91
Levellers partido
com ideais liberais que representava a pequena burguesia exigiam sufrágio, fim
dos monopólios, separação do Estado e da igreja. O partido foi derrotado em seu
confronto com a alta burguesia. (Fuzilamento por Cromwell em Burford)
“Por
exemplo, ambas acolhiam favoravelmente os cercados e a utilização do trabalho
assalariado, na produção destinada ao mercado. Consequentemente, esta fração
desertou do movimento dos Levellers logo
que este deixou de ser simplesmente a ala mais revolucionária da burguesia e se
lançou ao ataque da grande burguesia. A fração que gradualmente baixava na
escala social tendia a ser irregular e derrotista, e a desanimar. O ideal dos levellers (leveller) era uma
utopia de pequenos produtores no domínio econômico e, na política, uma
democracia pequeno burguesa. Não obstante o foco que o exército constituía,
os Levellers nunca representavam uma classe suficientemente homogêneas para ser
capaz de atingir os seus objetivos. A total realização das tarefas
democráticas, mesmo no caso de uma revolução burguesa, não é possível sem uma
classe trabalhadora apta a leva-las a cabo. As realizações mais radicais da revolução burguesa inglesa (abolição da
monarquia, confiscação dos bens da Igreja, da Coroa e da aristocracia)
tiveram a sua efetivação através do que Engels considerou os <métodos
plebeus> dos Levellers e <Independentes>; mas não houve um movimento
organizado da classe trabalhadora, dotada de uma visão diferente da ordem
social e de uma teoria revolucionária científica, capaz de conduzir a pequena burguesia a um ataque frontal contra o
poder do grande capital” pg 98
SE
CARLOS I FOI DECAPITADO, POR QUE A MONARQUIA INGLESA FOI RESTAURADA? (REVOLUÇÃO
GLORIOSA 1688)
Acredito
que este seja um ponto chave na compreensão da revolução inglesa, entender o
motivo da monarquia ser restaurada, processo conhecido como revolução gloriosa
de 1688 (Gloriosa revolução). O governo de Oliver Cromwell se tornou ditatorial
e ficou muito restrito ao poder do exército que com o tempo se dissolveu, por outro lado a burguesia e os
proprietários de terras tinham medo de uma insurreição popular, podemos
observar este fato no surgimento dos Levellers e dos Diggers.
“O
ideal comunista de Winstanley foi em certo sentido um tanto retrógado, uma vez
que surgia da comunidade de aldeia que o capitalismo estava em vias de
desintegrar. Porém, os Diggers eram os opositores mais radicais e igualitários
da ordem social feudal. As afirmações claras e simples de Winstanley têm
ressonâncias contemporâneas: <É esta a ser-falar de liberdade, mas muitos
poucos atuam pela liberdade, e os que o fazem são oprimidos pelos que só falam
e professam a liberdade apenas nas palavras.> <Porque é demasiado
evidente que se nos permitirem falar despedaçaremos todas as velhas leis e
provaremos que os mantêm são hipócritas e traidores do povo inglês> E
Wintansley não olhava apenas para o passado, vislumbrava um futuro em que
<onde quer que haja um povo que a participação comum dos meios de
subsistência una na identidade, essa será a terra mais forte do mundo, porque
todos serão como um só homem na defesa da sua herança.> pg 101
A
monarquia foi restaurada com Carlos II, mas os seus poderes nunca mais foram os
mesmos. A revolução teve sua importância em possibilitar a ascensão do
capitalismo e futuramente a revolução industrial. A burguesia e o capital, com
a instituição do parlamento se tornaram a classe dominante. Este processo influenciou
outras revoluções liberais como por exemplo.
“Porém,
a Restauração não foi de modo nenhum uma restauração do antigo regime, tornando
evidente, não a fraqueza da burguesia e da pequena nobreza, mas a sua força. Os
funcionários da Administração, o tribunal, os financiadores do governo fizeram
poucas mudanças depois de 1660. Carlos II voltou, pretendendo que era rei por
direito hereditário divino desde que a cabeça do pai rolara no cadafalso, em
Whitehall. Contudo, não recuperou a posição do pai. Os tribunais de privilégios
não foram restabelecidos e Carlos II não tinha qualquer autoridade executiva
independente. O direito consuetudinário, tal como Sir Edward Coke o adaptou às
necessidades da sociedade capitalista, triunfou quer sobre a interferência
arbitrária da Coroa quer sobre as exigências reformadoras dos Levellers. Na
Revolução Inglesa, não houve racionalização do sistema legal com comparável ao
Código de Napoleão, produzido pela Revolução Francesa para a proteção da
pequena propriedade. Posteriormente a 1701, a subordinação dos juízes ao
Parlamento era um ponto da Constituição: a pequena nobreza dominava o governo
local na qualidade de Juízes de Paz. O rei não tinha poderes para cobrar
impostos independentemente do Parlamento (se bem que, por falta da previsão, o
Parlamento votase entusiasmado que os direitos alfandegários revertessem a
favor de Carlos II, e tal foi expansão do comércio durante o seu reinado, que
nos últimos anos deste o rei quase atingira a independência financeira. Este
ponto foi retificado depois de 1688). Pg 110
“O rei
já não podia <viver pelos seus próprios meios>, do rendimento privado
proveniente dos seus domínios e dos impostos feudais, e nunca mais voltaria a
ser independente. No século XVIII o rei mantinha a influência, mas via-se
privado de qualquer poder independente. Por outro lado, o fracasso do movimento
democrático em obter legalmente a proteção incondicional da propriedade para os
pequenos proprietários rurais, abrira o caminho à subida impiedosa das rendas,
à construção de cercados, aos despejos e à criação de um proletariado sem
terras próprias, sem que o Parlamento remediasse esta situação e verificando-se
o domínio do sistema judicial pelas classes proprietárias. No mundo dos
negócios, os monopólios e o controlo real da indústria e do comércio desaparecem
para sempre. As guildas e as leis relativas aos aprendizes tinham acabado, e
não foi feta qualquer tentativa concreta para as fazer reviver. O comércio e a
indústria, agora livres, expandiam-se rapidamente. Na Restauração, não se deu
qualquer ruptura na política comercial, imperial ou com o exterior. O Ato de
Navegação foi renovado pelo Governo de Carlos II e tornou-se a espinha dorsal
da política inglesa, o meio que permitia aos mercadores ingleses monopolizarem
as riquezas das colônias. As companhias mercantis exclusivas entraram em
decadência, exceto quando circunstâncias especiais tornavam a sua conservação
necessária à burguesia (a East India Company) Pg 113
“Do mesmo modo, a tecnologia beneficiava
extraordinariamente com a liberalização da ciência e o estímulo dado pela
Revolução ao livre pensamento e à experimentação. As revoluções experimentadas
pela técnica industrial e agrária, que no século XVIII viriam transformar a
face de Inglaterra, teriam sido impossíveis sem a revolução política do século
XVII. A liberdade de especulação intelectual na Inglaterra de finais do século
XVII e do século XVIII influenciou extraordinariamente as ideias da Revolução
Francesa de 1789.” Pg 114
Segue
agora um anexo da página 25 onde o autor publica um documento onde é possível identificar
os atores sociais da revolução. Pode ser útil em uma leitura de documento
histórico com alunos.
“Uma
grande parte dos cavaleiros e gentil homens de Inglaterra... aderira ao Rei...
E a maior parte dos arrendatários destes homens e também dos mais pobres do
povo, a quem os outros chamam a plebe, seguiram a pequena nobreza e eram pelo
Rei. Do lado do Parlamento estavam (além deles próprios) uma pequena parte
(segundo alguns pensavam) da pequena nobreza de muitos dos condados e a maior
parte dos comerciantes e proprietários e de classe média de homens, especialmente
nas corporações e condados dependentes do fabrico de tecidos e de manufaturas
desse tipo” / “Os proprietários e comerciantes são a força da religião e do
civismo no país; e os gentil homens, os pedintes e os arrendatários servis são
a força da iniquidade”
Aqui
alguns links com excelente material sobre a revolução:
Sem lugar para se esconder: Edward Snowden, a NSA e a
espionagem do governo americano.
Autor: Glenn Greenwald
Editora: Primeira Pessoa.
Ano: 2014
Escrito pelo jornalista Glenn
Greenwald, o livro conta a história de como ele se envolveu com Edward Snowden,
ex-funcionário de empresas do ramo de tecnologia e segurança que prestava
serviços a NSA. E como foi o seu auxilio jornalístico ao Snowden, no processo
de denuncia referente a coleta e espionagem de dados sigilosos e privados dos
cidadãos americanos e estrangeiros feita pelo governo estadunidense. As
revelações são chocantes, tornando assim o livro muito interessante. Li as 288
páginas em apenas 4 dias.
Destaco aqui algumas questões que considerei relevantes durante a leitura do livro. A Agência de Segurança Nacional em inglês National Security Agency (NSA) existe desde 1952, como um órgão de inteligência de defesa nacional americana. Mas com o advento da internet e com a conjuntura de fatos ocorridos na sociedade americana, com destaque o atentado de 11 de setembro de 2001 que gerou uma onda muito forte de patriotismo e um objetivo nacional de caça ao terror. O órgão ganhou fundos e muita liberdade de ação com a justificativa de combater o terrorismo.
O fato é que a agência desenvolveu tecnologia e projetos que tem como objetivo coletar e armazenar tudo o que for possível da internet, informações como conversas de chats, fotos, vídeos, e-mails, metadados (ligações efetuadas e recebidas, hora, data, duração, destinatário etc.) dentre outras tecnologias capazes de acessar secretamente, câmeras de segurança, webcam, receber informações de qualquer microfone ou telefone celular.
Acredito que essas informações não surpreendam as pessoas, pois de alguma maneira dá para imaginar que as nossas informações possam ser interceptadas. Mas o grande reboliço que os documentos liberados pelo Snowden é causado pela revelação da dimensão desses projetos.
A primeira grande surpresa é saber quem são os alvos de espionagem, nada menos do que tudo e todos, cidadãos americanos e estrangeiros tem os seus dados armazenados, empresas, órgãos de outros países, instituições internacionais e tudo o que se conecta na rede. A grande questão é a legalidade de tudo isso, você não pode ter a sua privacidade violada sem uma ordem judicial, sem ser suspeito de algum crime ou estar ligado ao terrorismo.
Como o autor diz em seu texto
algumas pessoas dirão apenas “eu não faço nada de errado, não tenho o que temer”.
Mas devemos nos perguntar o que seria esse algo de errado. Um Estado que tem o
poder de saber o que todos pensam “através de suas conversas pessoais” tem uma
grande ferramenta em mãos para eliminar qualquer dissidência, qualquer um pode
ser considerado um “cara mau” caso se oponha a esse sistema, como no livro diz,
é fácil encontrar ambientalistas, defensores dos direitos humanos, ou membros
de grupos que atuam para exercer algum tipo de mudança na sociedade que foram
perseguidos e até tratados como terroristas. Este poder de vigilância pode ser
devastador em uma tirania, em uma realidade de guerra onde a elite e os
poderosos precisem eliminar qualquer tipo de dissidente. Este é o X da questão,
Snownden sacrificou uma vida confortável e segura e enfrenta os riscos de ser
preso e condenado a morte para que esta questão fosse denunciada colocada em
debate.
Uma outra questão relevante é a
espionagem econômica, como demonstrado em documentos que revelam que o
Ministério de Minas e Energia do Brasil assim como a estatal Petrobrás foram
espionadas com a finalidade de se obter vantagens econômicas aos americanos. A
revelação deste caso causa um desconforto diplomático entre os países.
“ Os motivos para a espionagem
econômica são bem claros. Quando os Estados Unidos usam a NSA para espionar as
estratégias de planejamento de outros países durante discussões sobre comércio e
economia, podem obter enorme vantagem para a indústria norte-americana. Em
2009, por exemplo, o secretário de Estado assistente omas Shannon escreveu a
Keith Alexander para expressar sua “gratidão e [seus] parabéns pelo
extraordinário apoio de inteligência de sinais” recebido pelo Departamento de
Estado durante a Quinta Cúpula das Américas, conferência destinada à negociação
de acordos econômicos”
A espionagem também é
direcionada a membros do governo de outros países como no caso da presidenta
Dilma Rousseff que teve até mesmo correspondências de e-mails violados. E da
chanceler alemã Angela Merkel.
“ Ao descobrir que a NSA havia
passado anos interceptando chamadas feitas com seu celular pessoal, a chanceler
alemã Angela Merkel, em geral contida, falou com o presidente Obama e,
irritada, comparou a vigilância dos Estados Unidos à Stasi, o célebre serviço
de segurança da Alemanha Oriental, onde ela fora criada. Merkel não estava querendo
dizer que os Estados Unidos fossem equivalentes ao regime comunista, mas sim
que o cerne de um Estado de vigilância ameaçador – seja ele representado pela
NSA, pela Stasi, pelo grande Irmão ou pelo Panopticon – é a percepção de que, a qualquer momento, pode-se
estar sendo monitorado por autoridades invisíveis. ”
Vale também destacar o
conceito de Panopticon usado pelo filosofo britânico Jeremy Bentham e também
pelo intelectual Michel de Foucault, para pensar os efeitos que essa vigilância
pode causar na sociedade, por exemplo, a psicologia prova que as pessoas se
comportam de maneira diferente quando sabem que estão sendo vistas, do que
quando estão sozinhas. Os efeitos de vigilância podem inibir as pessoas a se
expressarem e de terem opiniões dissidentes somente pelo fato delas terem a
consciência que podem estar sendo observadas.
Em um documento liberado pelo Snowden podemos ver escrito “Basta juntar dinheiro, interesse nacional e ego, e aí, sim, se pode falar em moldar o mundo da maneira mais ampla possível. / Que país não quer transformar o mundo em um lugar melhor... para si mesmo? ”. Não tenho dúvidas desse poder de “moldar o mundo” que essas ferramentas possibilitam.
“Em última instância, além da
manipulação diplomática e das vantagens econômicas, um sistema de espionagem
onipresente permite aos Estados Unidos manter seu controle sobre o mundo.
Quando o país consegue saber tudo o que todos estão fazendo, dizendo, pensando
e planejando – seus próprios cidadãos, populações estrangeiras, corporações
internacionais, líderes de outros governos –, seu poder sobre eles é
maximizado. Isso é duplamente verdadeiro quando o governo opera em níveis de
sigilo cada vez mais altos. O sigilo cria um espelho de apenas uma direção: o
governo dos Estados Unidos vê tudo o que o resto do mundo faz, inclusive sua
própria população, mas ninguém sabe de suas ações. ”
O livro traz diversos
documentos que demonstram as maneiras de agir da agência, leitura fortemente
recomendada.
Estudar a questão da Palestina através
da obra de Edward Said é buscar uma visão ampla e rica do assunto, o autor sai
da interpretação ocidental onde o árabe é visto como um ser exótico e selvagem.
Pois tem a vantagem de ter nascido na Palestina e de possuir uma vivência
árabe. Conjuntamente com a sua experiência de imigrante nos Estados Unidos.
Para entender a questão do conflito na
Palestina é preciso primeiro entender o sionismo, quando o jornalista e
escritor austríaco Theodor Herzl concebeu o sionismo na década de 1890,
tratava-se de um movimento para libertar os judeus e resolver o problema do
antissemitismo. O ocidente sempre deu apoio a causa sionista, principalmente
após a segunda guerra mundial, pois ser contra o sionismo no ocidente era
assumir uma postura desconfortável a beira de um antissemitismo. A visão sobre
os árabes era de um povo cheio de problemas, a alternativa do ocidente era
saber o que aquele povo complicado iria querer.
Este apoio sempre esteve relacionado com
a visão romancista que o ocidente construiu sobre o oriente e o desconhecimento
do mesmo. O oriente médio é visto apenas como um espaço de conflitos, guerras e
lutas intermináveis. Após a segunda guerra mundial, a questão do sionismo
ganhou destaque e em 1948 o Estado de Israel na região da Palestina foi criado.
Said faz um levantamento de fontes onde estuda
a genealogia do Sionismo desde o século XIX. Este estudo é muito importante
pois demonstra a guerra semiótica que foi orquestrada pelos sionistas e a
chamada comunhão de linguagem e ideologia entre o sionismo e o ocidente, onde
estes buscaram uma dominação e ação colonialista no território da Palestina. O
sionismo negou a existência do povo árabe e muçulmano que viviam na região. Com
este estudo Said também expõe as falácias racistas propagadas pelos autores
sionistas ao descreverem os árabes.
“Os árabes que são
superficialmente espertos e perspicazes adoram uma coisa e apenas ela: poder e
sucesso. […] as autoridades britânicas cientes como são da natureza traiçoeira
do árabe, tem de cuidar com atenção e constância para que nada aconteça que
provoque nos árabes a menor mágoa ou motivo de queixa. […] quanto mais justo o
regime inglês tenta ser, mais arrogante o árabe se torna.”1
A ideia central deste pensamento estava
baseada na ideia de superioridade do europeu em relação ao mundo, nesta
concepção os árabes são degenerados e traiçoeiros e os europeus possuem o ideal
de honestidade, civilização e do progresso, nada que o oriental seja capaz de
compreender. O sionismo se apropriou destes conceitos para legitimar as suas
práticas coloniais. Ao perceber o árabe como um sujeito ineficiente, ou seja,
incapaz de trabalhar a terra de uma maneira considerada eficiente, legitimando
assim a expropriação de terra daquele povo.
O autor destaca a questão da
representação do povo palestino pela mídia ocidental, estudando o principal
jornal dos Estados Unidos. Nas reportagens e matérias do jornal The New York
Times, os sionistas sempre tiveram grande participação e voz ativa. Os livros
sobre Israel e também sobre a Palestina, eram comentados por jornalistas e
escritores sionistas. Quando o jornal se referia ao tema, buscava a opinião de
um representante sionista e de um “especialista” em assuntos do ocidente, este
que muitas vezes também era um sionista. Um destes especialistas era Reinhold
Niebuhr (jornalista norte-americano) que em seu artigo para o jornal assimila
muito dos ideais descritos acima.
“Sei
que não há consideração suficiente na América pelos direitos árabes ou pela
dificuldade da Inglaterra para lidar com o mundo árabe. Acho desconcertante,
por outro lado, que o indivíduo comum fale de “opinião” árabe sem sugerir que
essa opinião é limitada a um pequeno círculo de senhores feudais, que não
existe classe média neste mundo e que as massas miseráveis estão numa condição
tão vil de pobreza que uma opinião é um luxo impossível para elas. Uma das
dificuldades do problema árabe é que a civilização técnica e dinâmica dos
judeus poderiam ter ajudado a introduzir, que deveria ter tido o apoio do
capital norte-americano e que deveria incluir o desenvolvimento de rios, a
conservação do solo e o uso da força de trabalho nativa, não seria aceitável
para os comandantes árabes, embora fosse benéfica às massas árabes. Ela teria
de ser imposta provisoriamente, mas teria uma chance de aceitação cabal por
parte das massas”2
Neste texto Niebuhr retira o direito e a
possibilidade do povo palestino de ter uma opinião sobre o seu destino e as
suas vontades. E deixa nítido que a opinião árabe não importa.A estratégia sionista de conquistar a
história, através da mídia e de obras artísticas. Para entender a relação do
motivo dos grandes jornais e a mídia ocidental assumir um discurso sionista,
deve se lembrar da relação entre o sionismo e o liberalismo, do grande lobby
sionista presente em diversos seguimentos da sociedade norte-americana. Estão
presentes como grandes acionistas, empresários anunciantes e até mesmo como
donos de redes de mídias. Said traz o caso da expulsão de Israel da Unesco e a
condenação do sionismo fomo forma de racismo pelas Nações Unidas. Onde a reação
dos judeus foi a de encher as correspondências de parlamentares americanos com
reclamações e dizendo que a medida foi uma forma de racismo.
Isto é responsável pela omissão da
grande mídia ocidental em repercutir os relatórios e documentos produzidos pela
ONU, Cruz Vermelha e outras instituições, onde o conteúdo faz menção das
torturas, prisões arbitrárias e abusos aos direitos humanos.Um exemplo do tratamento diferenciado
dado aos judeus sionistas é retratado pela história de Menachem Begin que era
um terrorista declarado, que admite ser responsável pelo massacre de 250
mulheres e crianças na aldeia árabe de Deir Yassin, em abril de 1948. Quando
este foi eleito foi considerado um estatista pelo ocidente, um líder
democrático incapaz de praticar o mal. Said denuncia esta hipocrisia do
ocidente ao citar o fato de que este sujeito foi condecorado com o título de
doutor honoris causa em direito civil pela Northwestern University em
1978, universidade norte-americana. E para completar também recebeu uma parte
do nobel da paz.
Em 1948 foi criado o Estado de Israel,
fruto de promessas britânicas aliadas ao sionismo. Vale lembrar das promessas
contraditórios de Balfur (secretário das relações exteriores britânico) em
relação ao território palestino, em troca de apoio durante a segunda guerra
fazia promessas de libertação aos árabes ao mesmo tempo que comprometia em
oferecer o território sob domínio para os sionistas. Dispersão dos palestinos
não foi um fato da natureza, mas resultado de uma força e de estratégias
sionistas.
As ações sionistas não deram início
somente após a criação do Estado em 1948, este fato foi resultado de uma ação
estratégica de dominação. É importante citar a criação dos fundos de capitais
sionistas como o Crédito Colonial Judaico Ltda (1898), Crédito Colonial (1901)
e o Fundo Nacional Judeu. Estes fundos serviram para financiar as campanhas
sionistas, a compra de terras e propriedades sistematicamente dos nativos. E
assim dar início a etapa de tomada de território da região.
Com o final da segunda guerra a fundação
do Estado e os conflitos armados que ocorreram no período, em 1948 o território
da Palestina passou por um processo de êxodo e esvaziamento. “se quisermos
entender por que 780 mil palestinos partiram em 1948, devemos olhar além dos
acontecimentos imediatos de 1948: devemos ver o êxodo como um fato gerado por
uma relativa falta de resposta política e organizacional dos palestinos à
eficácia sionista e, além disso, uma propensão psicológica para o fracasso e o
terror” Said, Edward. Pg 116)
“Antes
de 1948, a maior parte do território denominado Palestina era habitada, sem
sombra de dúvida, por uma maioria de árabes, os quais, após o surgimento de
Israel, foram dispersados (partiram ou foram obrigados a partir) ou cerceados
no Estado como uma minoria não judaica. Após 1967, Israel ocupou mais território
árabe palestino. O resultado foi que, atualmente, existem três tipos de árabes
palestinos: os que vivem nos limites da Israel pré 1967, os que vivem nos
territórios ocupados e os que vivem fora das fronteiras da antiga Palestina” (Said, Edward. Pg 53)
Nesta obra Said busca fazer uma “justiça
histórica” para o povo da Palestina, em sua pesquisa confirma a presença do
território e povo palestino na história, busca na literatura de viajantes
relatos sobre como era a vida na região, do povo árabe que habitava a terra,
dos seus modos de vida e produção. Relatos de viajantes do século XII até XIX e
de geógrafos, historiadores, filósofos e poetas da língua árabe, estes que já
falavam da Palestina desde o século VIII. Traz à tona registros de quando a
região era chamada pelo seu nome árabe de Filisteia. Durante o século XVI
Palestina se tornou província do império otomano.“por
centenas de anos existiu uma terra chamada Palestina um povo essencialmente
pastoril e, no entretanto, social, cultural, política e economicamente
identificável, cuja língua e religião eram (em grande parte) árabe e islâmica,
respectivamente.” (Said,
Edward. Pg 9)
Através do censo que talvez possa ser
subestimado, mas o autor concorda que é confiável reafirma as proporções de
superioridade numérica dos árabes e muçulmanos em relação aos judeus. Censo de
1914 relata 689.272 pessoas e apenas 60 mil judeus. 1922, 590.890 (78%) eram
muçulmanos; 73.024 (9,6%) eram cristãos, majoritariamente árabes; 83.791 (11%)
judeus. Crescimento judeu na área cresceu 28% em 1927 e 25% em 1934. Este
aumento da proporção já demonstra o avanço da ação sionista na região.
Os judeus se organizaram e tiveram
êxitos em seus objetivos, Avoda Ivrit é um dos métodos utilizados, o objetivo
era o de alienar os nativos da força de trabalho. A orientação era para que a
comunidade judia realizasse os seus próprios trabalhos, até mesmo os que
exigiam esforços manuais.
Privações de direitos básicos do ser
humanos, impedimento do direito de ir e vir, de moradia, prisões arbitrárias,
assassinatos. Nos conflitos a ordem é que para cada 1 Israelense morto em
combate 10 ou mais palestinos paguem com a vida. Sem a distinção entre
soldados, civis, crianças e mulheres.
É contraditório que um povo que sofreu
um processo de genocídio durante a segunda guerra mundial, em tão pouco tempo
pratique o mesmo tipo de opressão em outro povo, um exemplo disso são as
torturas onde são utilizadas gás, denunciadas nos relatórios e ignoradas pela
mídia ocidental.
Há uma forte ligação entre Israel e os
Estados Unidos, o sionismo é defendido fortemente nos EUA, Israel serve como
uma barreira física e um braço de ação no Oriente médio, um muro que separa os
árabes do mundo ocidental. O exército de Israel usa muitos equipamentos que se
assemelha muito ao exército dos EUA.
O Estado de Israel trata os judeus e os
não judeus de uma maneira bastante diferente, os não judeus são tratados pelo
Estado como cidadãos de segunda categoria. Além das práticas já citadas de privações
de direitos humanos, as regiões com predominância árabe não recebem nenhum tipo
de investimentos em infraestrutura.
As leis que beneficiam os judeus em caso
de imigração ao país, são as mesmas que barra e negam o direito de retorno dos
palestinos. O Estado de Israel manteve uma lei do período de domínio britânico
chamada Lei de Confisco de Propriedade em Tempos de Emergência de 1949. Esta
lei é utilizada para negar o direito de propriedade dos palestinos e de dar
ordens de demolição de suas residências. Esta mesma lei era denunciada nos
tempos de domínio britânicos como antissemita. Lei de Propriedade Ausente, Lei
de Aquisição de terras, Lei de Prescrição de 1958
“O não
judeu leva uma vida de privação nas vilas, sem bibliotecas, centros da
juventude, teatros ou centros culturais; a maioria das vilas árabes, segundo o
prefeito árabe de Nazaré, que fala com a autoridade única de um não judeu em
Israel, carece de eletricidade, redes de esgoto, exceto Nazaré, que é servida
apenas parcialmente; nenhuma vila possui estradas ou ruas. Enquanto o judeu tem
direito ao máximo, ao não judeu é concedido o mínimo indispensável. De uma
força de trabalho de 80 mil árabes, 60 mil trabalham em negócios administrados
por judeus” (Said, Edward. Pg 121)
1 Carta datada de 1918 de Chaim Azriel Weizmann um
intelectual sionista para Arthur James Balfour secretário britânico de assuntos
exteriores.
2 Niebuhr “A New View of Palestine”, The Spectador, 6 ago. 1946, p.162
Bibliografia:
SAID, Edward. A questão palestina. São Paulo: Unesp, 2012.
Capitulo - A palestina e os palestinos.
Capitulo - O sionismo e as atitudes do colonialismo europeu.